Um tanto da Palavra
     
 

ACONTECEU também naqueles dias, em que não havia rei em Israel, que
houve um homem levita, que, peregrinando aos lados da montanha de
Efraim, tomou para si uma concubina, de Belém de Judá.
 
 
Juízes, capítulo  19, versículo  1
 
 

Uma das leituras mais difíceis e desconcertante que experimentei em toda a Bíblia foi a de Juízes
19, primeiro porque, para um neófito, que está fazendo sua primeira leitura completa do Livro, não
se espera algo tão chocante nem tampouco de intensa natureza sexual.

Contudo, passados tantos anos, eu pude recordar um desconforto o qual nunca me aprofundei,
ficou adormecido em tantas questões que este livro e os que se seguiram depois impuseram. Mas
que agora resgato.

Era o fato de que o levita não possuía uma esposa, mas uma concubina.
Como a Bíblia é um texto denso, onde temos muitos acontecimentos e muitos anos descritos em
poucas linhas, muitas questões ficam suspensas. E esta, para mim, era uma delas.

Por que o jovem levita tinha uma concubina?

Até onde posso me lembrar, um jovem primeiro casava e depois acumulava concubinas, este era,
ao menos, o caso de Jacob.

Não tenho outro estudo, é possível que enquanto um homem não encontrasse sua esposa, distraia-
se com uma concubina, quem sabe uma serva da casa dos pais. Sinceramente não sei.

De qualquer forma temos aqui um jovem e uma concubina. Não uma esposa.

E não era uma concubina qualquer, era uma concubina adultera. Mas, apesar de todos os
desencontros na vida e infortúnio deste casal, era sua. Algo que se leva, que se vai buscar, que se
carrega, mas não se ama, ou se ama, de um jeito muito próprio. Não, de modo algum, não um
esposa perdoada, era um algo que alguém vai pegar de volta.

E o que tem este casal, se assim posso chamá-los de especial? Era seu tempo, ou melhor, um
tempo que veio junto com este casal, ou a partir deste casal. Um tempo que parecia existir desde
sempre, mas que se revela neste lugar e neste tempo.

Toda a barbaridade que se segue, não, barbaridade não é um termo justo aos bárbaros, toda a
bestialidade, não, os animais do campo não fazem sito, toda a perversidade que vem a acorrer de
modo tão rápido e gratuito torna-se sem explicação e sem precedentes em Israel.

No fim, tudo o que temos de uma mulher é um objeto, uma coisa, um nada a se considerar.

Eis que toda a violência masculina explode. Mas não é agora, pelo menos para mim, e nunca mais
será, uma violência externa, daqueles que estavam fora da casa.

É antes de tudo uma violência interna. Nada a defender, nada a proteger, apenas um algo, uma
coisa, um objeto. Desde o começo, até a grande apoteose. Até que a essência encontrasse a
forma exata.

Olhando o mundo de hoje, já temos a essência, já temos a atitude, mulheres que são de todos
porque não são de ninguém(1).

Quem lutará por estas, senão Yeshua?


M. Mingra
março.13

(1) Não é uma afirmação de propriedade, no sentido de posse, senão, de ser próprio, no sentido de
pertencimento, de associação e de proteção. A defesa contra a perversidade só é possível em uma
sociedade civilizada, único lugar onde uma mulher realmente pode ser independente. Mesmo um
homem não tem como ser independente ou prestar proteção em sociedades precárias, uma vez que a
perversidade acaba se apoderando do ordenamento social. Portanto, este termo, "não ser de ninguém",
significa que não há um ambiente de segurança para pessoas de bem e onde os homens são
determinantes, basta ver as ocorrências midiáticas na Índia. Sem esquecer, também, que a violência
contra a mulher apresenta números terríveis ao redor do mundo e não dá sinais de melhora, isto quando
a violência não é legalizada, como Irã, Paquistão, certas regiões da África, entre outros países.
 
     
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