Resistência
     
 
"E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira;"

                                                                          2 Ts 2, 11
 
     
 

Resistindo à enganação

Não há um propósito para a vida em uma perspectiva ateia. Qualquer tentativa será um erro
conceitual e um desejo de transcendência que nega a própria afirmação. É muito difícil encontrar
um ateu verdadeiro, penso que encontrar o Papai Noel seja mais fácil.

É crível que temos em nossos genes a faculdade de transcendência, esta é a explicação dos
materialistas para nossas crenças. Sim, faz bastante sentido e é bem razoável. O que não faz
sentido é pensar que podemos superá-la ou ignorá-la (com a nossa "razão", que não deixa de ser
uma boa piada).

Encarar esta possibilidade é um dever daquele que crê. Lidar com o fato de que não se pode
descolar dele, também é um dever do que não crê.

Portanto, o que crê, deve examinar a origem de suas convicções e não se impressionar com
sensações. Ao que não crê, o esforço para eliminar a satisfação do sentido em qualquer coisa,
qualquer sentido que se dê a vida é falso e uma forma de religião.

Ambos podem se beneficiar, a seu modo, com a perspectiva da morte.

Mas admitindo que não haja Deus e, portanto, não haja sentido para a existência, o que sobra?

Nada.

Não há finalidade para a vida nem para qualquer proposta social ou política. Tudo se resumiria a
uma ânsia dos genes de se reproduzir. Nada muito bonito. Uma estrutura química replicante e
implicante.

Desta forma, genes de cooperação e genes de psicopatas são igualmente justos e têm o mesmo
direto de existir. Neste ponto, trata-se de duas estruturas que possuem estratégias diferentes de
se multiplicar.

Uma, a da cooperação que beneficia as duas, pois a produção é dependente desta. A outra, a da
tirania, se beneficia da produção da primeira, dela se apropria e ainda, por meio da força, da
coerção e da corrupção, se propaga em número maior.

O gene da cooperação possui regras reprodutivas, o da violência, não. Imagine quantos
descendentes de um Gengis Kahn circulam por ai; só para citar um dos psicopatas bem sucedido.

Parece razoável, olhando para a história e para a história do pensamento, a luta destes dois tipos
de genes. Só que atribuir um valor ou um julgamento moral sobre estes, do ponto de vista
materialista, é insano e inútil.

O gene de um tirano sanguinário tem tanto “direito” de existir, quanto o da compaixão. E não só
tem o mesmo direito, como tem mais volição e vontade, como em um “O triunfo da vontade”.

Antes de seguir, uma advertência, o psicopata irá buscar ocupar a liderança, isto lhe é próprio e irá
“acreditar” em qualquer coisa, até em Deus e na compaixão, será um exímio arauto. Portanto,
argumentos contra a religião pela existência de líderes religiosos cruéis são sem sentido.

Dita esta, qual seria a estratégia dos genes compassivos e da cooperação? Aqui é possível
admitir que a fé ou foi criada por perversos que queriam se apropriar da fé ou por pessoas de boa
índole que queriam emprestar sentido. Vamos até admitir que foi uma criação intencional e uma
enganação, mas os propósitos são bastante distintos (mas ok, não deixa de ser uma mentira).

Um desejava se apropriar das pessoas pela crença, o outro, apenas fazer com que os genes
continuassem a suportar o fardo da existência.

E se hoje, os que são compassivos e a favor da cooperação resolvam ser honestos (nesta nossa
hipótese) e parar com a “enganação”.

Finda a fé, o que a substituiria? Como estes genes do “bem” podem lutar contra o outro gene?

Esta é a pergunta para aqueles que se balançam entre fé e o neoateísmo. Ou mesmo a pergunta
que os ateus de bom coração devem fazer (1).

Usar da mesma violência dos genes psicopatas ou criar outro sistema de crença? Hilário, não é?

Uma escola da vida? Um fatalismo cósmico estóico? Viver e seguir vivendo resignado à ânsia
genética e ainda assim propor uma moral genética?  Urru, brilhante!

Perseguir a verdade é uma obrigação tanto para quem crê, não se limitando aos que outros dizem,
como para o que não crê, também não se limitando aos que outros dizem; como um gesto de
humildade frente aos insondáveis da vida.

Há aqui uma dica, ao descobrir algo, uma nova “verdade”, geralmente as pessoas abandonam o
pensamento anterior e contrário. Mas talvez esta não seja a maneira correta de lidar com as
coisas, contradições aparentes são mais comuns que cair para baixo. Convém, ao invés de trocar
de pensamento, como quem troca uma roupa, colocar a nova por cima da anterior e conviver com
as duas, mesmo que desconfortavelmente, ou seja, o pensamento complexo; como ocorre com as
árvores, que deitam tecido novo sobre o morto, morto mais estrutural, o cerne morto que sustenta o
que está vivo.

Marcos Mingra

(1) Vale também advertir que se há crentes que, de fato, não são, que mentem, igualmente há ateus que não o são,
e também mentem. Há uma intenção no enfraquecimento da justificativa moral, para que os genes “do bem”
percam sua volição, ou seja, são pessoas que possuem uma fé (anti-Deus) e querem vencer esta batalha genética,
por assim dizer, “cósmica”. Não seja um inocente útil. Recuse a heteronomia, estamos por nossa conta e risco.
 
     
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